Nossa segunda estação – Summer

Ele se foi e nós sobrevivemos.

Eu temia por essa estação, porque a primavera já estava bem quente e só “conhecia” o verão da Flórida de ouvir falar.

De fato, o calor em alguns dias chegou a ser insuportável, digo isso quando ao ar livre, porque dentro de casa ou dos estabelecimentos estávamos sempre em temperatura agradável.

Praticamente todos os dias, especialmente no fim da tarde, observava pela janela de casa aquela chuvinha “gostosa”, me convidando para  aquele chocolate quente ou mingalzinho de Aveia com canela. OPS… mas não, bastasse abrir a porta e colocar os pés pra fora pra sentir o clima quente e húmido, tão peculiar da região, ainda mais acentuado no verão. Notei também um aumento de “bichinhos” indesejáveis, muitos sapinhos apareceram, especialmente a noite pra me testar a coragem. Foram algumas histórias curiosas.Clique aqui em baixo pra ver uma delas…rs

Os sapos do verão!

Embora estivéssemos de férias da escola, participei da classe de verão no período da manhã, durante 4 semanas.

Todas as quintas-feiras, tínhamos o chamado “Field Trip”, onde a turma saía para algum lugar fora da escola.

O lugar mais curioso que visitamos foi uma das cadeias da cidade. Nos receberam com muita atenção e nos mostraram como as coisas funcionam lá dentro como por exemplo os programas que eles oferecem para os presos. Vimos com nossos próprios olhos como eles vivem.

Apesar de nunca ter entrado em uma cadeia no Brasil, já vi muitas cenas pela TV da estrutura precária e superlotada de lá. Chega a ser difícil comparar de tão diferente que é, mas algo que me chamou a atenção foi saber que a alimentação que é servida dentro da prisão aqui é feita apenas com o intuito de nutrir, de certa forma também uma punição, já que não há nenhum tempero na comida.

Será que no Brasil também é assim?

Ah… e o que falar sobre a saudade? Ela faz parte da nossa vida, agora ainda mais presente. A rotina que a gente vai criando nos ajuda a viver melhor com ela, mas há “aqueles” dias que ela nos pega de jeito e acaba escorrendo pelos olhos. E então… uma oração, como resposta o alento vem, nos ensinando dia após dia a viver em paz.

Parentes, visitas, amigos. Compartilhamos nossa vida, o sofá, a pia, o fogão…

Chegadas e partidas, assim tem sido desde o começo, mas não o fim.

 

Dia da partida 🙁

Vivemos nesse verão duas semanas muito peculiares com a notícia do furacão Irma em direção à Florida. Na semana que antecedeu a chegada dele aqui, pudemos acompanhar toda a destruição que ele causou nas ilhas do Caribe e outras regiões. (Que tristeza ver o que aconteceu… Oramos para que aquelas pessoas recebam força e provisão necessários para se reestabelecerem). Durante todo o dia escutávamos notícias, recebíamos instruções das autoridades pela TV. A cidade estava sendo preparada para a passagem do Hurricane. Algumas pessoas estavam receosas, outras nem tanto. Pra gente, tudo muito novo, não esperava viver uma experiência assim tão recém-chegados.

A notícia de que ele chegaria em Orlando na categoria 1 nos deixou mais aliviados, mas não o bastante para me deixar dormir durante a noite em que ele chegou.

As 22:30 ficamos sem energia. Pela madrugada, sentada no chão, atenta a todos os barulhos do lado de fora, compartilho o pouco que consegui escrever naquele momento:

“São 3:50 da manhã.

Há muitos sons lá fora que não me deixam dormir.

Eles vieram de longe e cada lugar em que passaram levaram consigo memórias, sonhos, angústia e vidas.

Para mim são sons desconhecidos, cada um fazendo uma nota. Não há harmonia, não há afinação.

Alguns acordes desencadearam coração acelerado, pernas bambas.

Não há beleza, mas com o passar das horas entendi que era preciso ouvi-lo para então perceber o que essa melodia traz consigo.

Esse “concerto” que ecoa há algumas horas por aqui está quase chegando ao fim e o que todos esperamos é que esse som se dissipe e deixe de ser o que se tornou.”

Graças a Deus ele passou e de fato deixou de ser o que se tornou, foi subindo e virando uma tempestade tropical.

A energia aqui em casa foi reestabelecida no dia seguinte às 13:30. Os danos no condomínio onde moramos foram mínimos, alguns pontos de alagamento e árvores ao chão.

Em outras regiões os danos foram maiores, mas nada extremamente grave se comparado com o que ocorreu nas ilhas do Caribe.

Com o passar dos dias, nossa rotina foi tomando seu lugar.

Algumas intercorrências pelo meio do caminho, mudando um pouco “nossos” planos. Mas e “Se”… me lembrou uma das lindas canções que conhecemos nessa estação. Vou deixar a letra e o Link no final pra você conhecer também. Aprendizado, renúncia, entrega.

Coração alegre, porque “Ebenezer”, até aqui tem nos ajudado o Senhor.

O que nos espera na próxima estação? Não sei dizer, mas de uma coisa sei: “ A graça do Senhor nos basta”.

“E Se”

Stênio Március

A figueira não floresce

Não há fruto na videira

O produto da oliveira mente

Rios, campos não produzem

O curral está vazio

O aprisco está deserto

Tudo isso se passando e o profeta mesmo assim vai se alegrando em Deus

Mas e se fosse comigo

Pra quê mesmo que eu vivo

Onde está minha alegria?

E se a dor for minha sina

Será que ainda faço rima

Canto alegre a melodia?

E se eu perdesse tudo será que contudo me alegraria em Deus?

Eu quero ser, não quero ter

Eu quero crer, não quero ver

Que minha alegria seja tão somente me lembrar de Ti, meu Deus!

Viver e só de Ti viver

Morrer ansioso por te ver

É minha oração

É assim que eu queria ser

Pra quem quiser ouvir, essa é a canção:

Abraços,

Nos vemos na próxima estação.

Viviane Lara.

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